Comunidade Evang. de Conf. Luterana no Bairro dos Pires - Limeira

Sínodo Sudeste - Paróquia Evangélica de Confissão Luterana de Limeira



Via Martim Lutero - km 3 Bairro dos Pires
CEP 13486-971 - Limeira /SP - Brasil
Telefone(s): (19) 3443-5075
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ID: 1251

História da Comunidade no Bairro dos Pires

O PRINCÍPIO


No dia 09 de março de 1852, no porto de Hamburgo, na Alemanha, 37 famílias de luteranos sobem a bordo do Veleiro Emilie e zarpam rumo ao Brasil. Eram originárias do Grão Ducado de Holstein, norte da Alemanha (que desde 1815, como resultado de acordos pós guerras napoleônicas, era possessão dinamarquesa). Chegam ao porto de Santos dois meses depois (em 10/05). A longa viagem de navio havia ceifado a vida de 30 pessoas (o pai de uma das famílias, Sr. Embke, que era seleiro de profissão, e 29 outras crianças).

De Santos, nove destas famílias seguiram para a Colônia Sete Quedas, em Campinas e 27 famílias seguiram para a Fazenda São Jerônimo, de propriedade do Senador Francisco Antônio de Souza Queiroz (genro do Senador Vergueiro) para cumprir com o contrato de trabalho feito.

Os maridos das 27 famílias (todas luteranas) que se instalaram, como colonos, na Fazenda São Jerônimo eram as seguintes: Ludwig Carl Heinrich Asbahr, Christian Detlev Asbahr, Eduard Kühl, Kay Cristian Kühl, Friedrich Christian Kühl, Christian Tank, Christian Hardt, Paul Wiek, Bendix Wiek, Bendix Lawig, Bendix Grewe, Eduard Stahl, Friedrich Stahl, Jürgen Stahl, Claus Stahl, Claus Brook, Claus Rehder, Claus Boll, Carl Brammer, Carl Jürgensen, Wulf Hanssen, Jaspar Sass, Eduard Müller, Heinrich Mattenhauser, Johan Lorenzen, Fritz (Friedrich) Book e Jürgen Dibbern. (1)

Nos anos 1856/57, quinze famílias alemãs, depois de terem cumprido com seus contratos de trabalho, puderam, com muito sacrifício, adquirir terras na então Vila de Limeira.

Tratava-se dos Kühl, dos Hardt, dos Jürgensen, dos Asbahr, dos Dibbern dos Schnoor e dos Stahl (chegados ao Brasil em 1852) que haviam trabalhado na Fazenda São Jerônimo e dos Häfliger, dos Bürger, dos Stahlberg, dos Lange, dos Ivers, dos Maaz, dos Ulrich e dos Tetzner (chegados ao Brasil, também do Grão Ducado de Holstein, no ano de 1847) que haviam trabalhado na Fazenda Ibycaba. A terra que estas quinze famílias adquiriram era um desmembramento da então Fazenda do Feital, de propriedade de Francisco José Pires, mais conhecido como Chico Pires. Por isso toda aquela área acabou ficando conhecida como Bairro dos Pires. (2)

Desde sua chegada e instalação, estas famílias se uniram em torno do que tinham em comum: sua proveniência do além-mar, sua língua e sua fé. Pelo fato de ainda não conhecerem muito bem a língua portuguesa e nem os costumes da terra, se mantiveram, de início, muito “entre si”. Houve um longo tempo no qual estas famílias se encontravam nas casas para compartilhar suas experiências, sua fé e o estudo da Palavra de Deus. Isto, no início, sempre foi dirigido por leigos.

O primeiro pastor a prestar um atendimento mais regular a estas famílias foi o P. Johann Jacob Zink, que morava em Campinas. Diversas diligências comunitárias foram empreendidas, a duras penas (todos eram muito pobres), para que se pudesse ter um lugar para os cultos, uma escola e um cemitério. A Igreja Luterana, entretanto, mesmo ainda sem templo, já existia e ia “de vento em popa”. O primeiro batismo realizado foi o de Joachim Asbahr, filho de Heinrich Asbahr e Margarethe Dibbern, que nasceu em 25/09/1869 e foi batizado em 31/10/1869 pelo P. Zink, tendo como padrinhos Joachim Heinrich Dibbern e Catharine Ladewig. (3) Quem sabe teria sido esta a data do primeiro culto! A primeira confirmação realizada foi no dia 28/02/1870, sendo confirmados 24 pessoas.

Mas o trabalho era imenso nesta vasta seara de então. Além do atendimento pastoral era preciso alfabetizar as crianças. Naqueles tempos não havia escolas. Diante destas dificuldades as famílias se uniram ainda mais. Construíram um Centro Comunitário. Este serviria como local de cultos, escola, reuniões diversas e moradia do pastor.

Preocuparam-se também com um cemitério. Já que na época era costume e necessidade a Comunidade manter seu cemitério. Sobre isto dispomos de esparsas notícias. Sabemos que o primeiro doador do terreno foi o Sr. Christian Heinrich Friedrich Stahl (1824-1905). Contudo não sabemos qual foi a data da criação do mesmo.

Todavia, das várias sepulturas existentes no referido, apuramos que o primeiro sepultamento, provavelmente, foi no ano de 1890. Na lápide consta o nome de Christina Bull que faleceu com apenas 27 anos (1863-1890).

Após longos anos outras doações foram feitas, e o Cemitério foi ampliado até a sua forma atual.  A Comunidade sempre zelou por esta propriedade.

A sua primeira denominação foi “Deutsche Evangeliche Kirchengemeide Pires” (Comunidade Evangélica Alemã Pires), sendo seus fundadores: Christiano Stahl, João Häfliger, Guilherme Ulrich, João Dibbern, Joaquim Dibbern, Carlos Greve, Luiz Sass, Henrique Jürgensen, João Greve, Carlos Dibbern, Carlos Jürgensen, Jacob Sass, Germano Bürger e Germano Ulrich.
 

A gravura acima é uma reprodução de um quadro original, desenhado por autor desconhecido em data desconhecida (o quadro não apresenta nenhum nome de autor e nenhuma data). O quadro original está hoje na casa do Sr. Valdir Luiz Ulrich (Ico) e pertenceu a seu sogro, o Sr. José Asbahr, nascido no dia 04 de janeiro de 1913.

O Sr. José Asbahr nos contou que ganhou o quadro de seu pai, quando tinha 12 anos de idade (em 1901, portanto). Ninguém sabe nada, lamentavelmente, acerca do autor do desenho original.

A gravura, bem provavelmente, foi desenhada em fins do século passado e representa, em primeiro plano, antigo salão comunitário (que era usado para todas as reuniões e os cultos da hoje Comunidade Evang. de Conf. Luterana do Bairro dos Pires) e em segundo plano, mais acima, a antiga escola Escola do Bairro dos Pires.

Em todos os casos a presente gravura representa um tesouro histórico de nossa Comunidade, visto retratar seu passado remoto.

Membros também doaram terrenos para a construção de um Cemitério, que pertenceu a Comunidade por muitos anos.

O primeiro sepultamento provavelmente foi o de Cristhina Büll (1863 - 1890) com apenas 27 anos de idade.

Foi só no dia 03 de outubro de 1873, já com Salão Paroquial e casa pastoral construídos (naquela época só a Igreja Católica podia ter templos), que a hoje Comunidade Evangélica de Confissão Luterana do Bairro dos Pires foi inaugurada.

O terreno onde foi construído o Salão Paroquial foi doado por Christiano Stahl e João Häflinger.

No ano de 1874 chega aos Pires seu primeiro pastor residente; chamava-se P. Friedrich Müller. Este primeiro pastor efetivo serviu a comunidade local por 44 anos, onde atuou também como professor. Veio a falecer no dia 02/12/1918 aos 71 anos de idade (seus restos mortais repousam no Cemitério do Bairro dos Pires). No ano de 1973, por ocasião do centenário da Comunidade, sua sepultura foi reformada.

Além de Pires, atendia as Comunidades de Cosmópolis, Campinas, Friburgo e Rio Claro.

Quando o P. Müller faleceu, a Comunidade do Bairro do Pires contava com 45 anos. Idade madura e invejável para qualquer Comunidade. Mas isto não impediu que anos mais tarde ela sofresse um forte e grave abalo.

Depois da morte do P. Müller, a Comunidade, que na época havia sido registrada como Sociedade Evangélica Pires (não podia, por lei, ser registrada como Igreja, o que era privilégio único dos católicos), passou a ser atendida pelo P. Theodor Albert Koelle, que residia em Rio Claro. Durante este período a Casa Pastoral do Bairro dos Pires esteve sem morador.


OS ANOS SEGUINTES – A CISÃO


Em 1920 chega o P. Otto Eugen Jung e assume e dirige os trabalhos pastorais até 1926.

Segundo testemunhos de pessoas que viveram o episódio, o P. Jung foi homem de temperamento vigoroso. Com atitudes não menos vigorosas. Severo com as crianças da escola alemã. Segui a tradição do ensino em seu tempo.

Paulatinamente começou a se formar um clima de insatisfação relacionado ao pastor. A tensão aumentou até que, voluntária ou involuntariamente, uma criança voltou machucada para casa após a aula. Apesar de ser coisa difícil para a ocasião, devido à timidez de alguns membros, o P. Jung foi tido como responsável. Esta foi a “gota d’água” que faltava.

O presidente da Comunidade Jakob Sass tratou do assunto em Assembléia Geral. Após alguma discussão, sob um clima muito carregado, decidiram votar se todos desejariam ou não a permanência do pastor. Feita a votação apurou-se 38 votos contra sua permanência, e 31 votos a favor.

Se até então não tinha havido diálogo, agora se cerraram completamente as portas. O P. Jung não aceitou a decisão da Assembléia. E, com os membros a seu favor, se retirou. Fundou uma nova Comunidade no mesmo Bairro em 1926. Imediatamente filiou-se ao Sínodo Luterano Missouri (dos Estados Unidos da América do Norte), hoje: Igreja Evangélica Luterana do Brasil. De outro lado já em 1939 o novo presidente em exercício, Henrique Frederico Jürgensen, filiou e registrou a Comunidade no Sínodo Brasil Central. Atualmente Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil.

Uma página negra! Manchada pela falta de diálogo. Falta de perdão. Houve falha de ambos os lados na prática do Evangelho. Hoje os descendentes das duas Igrejas não compreendem bem os motivos da divisão. De um lado e de outro se ouve o seguinte: “somos parentes, unidos no trabalho, na diversão, nos sofrimentos, nas alegrias, enfim na vida. Mas na hora de ouvirmos a Palavra de Deus estamos divididos”. (nossa esperança é que um dia reencontremos todos a porta de uma só casa de Deus!).


MAIS TEMPO, MAIS HISTÓRIA


No ano de 1920 o Cemitério da Comunidade foi encampado pela Prefeitura Municipal, até então mantido pela Comunidade.

Em 1926 foram registrados os estatutos da “Deutsche Evangeliche Kirchengemeide Pires” (Comunidade Evangélica Alemã Pires).

A primeira diretoria foi composta da seguinte maneira:


Presidente: Henrique Frederico Jürgensen

Vice-Presidente: Alfredo Mattias Dibbern

Secretário: João Guilherme Ivers

Vice-Secretário: Emílio Sass

Tesoureiro: Augusto Dibbern

Vice-Tesoureiro: Gustavo Dibbern


O Presidente Henrique Frederico Jürgensen ficou à frente da Comunidade por 25 anos.


Em 1927 a Comunidade filiou-se ao Sínodo Evangélico Brasil Central.

A partir de 1930 a Comunidade de Campinas passa a atender a Comunidade do Bairro dos Pires, conforme segue:

Em 07 de novembro de 1939 foi registrada no cartório de registros de Limeira como “Associação Evangélica Pires” e publicado no Diário Oficial em 19 de novembro de 1939, sendo que até este ano todos os registros de reuniões realizadas na comunidade eram em alemão.

No período de 1941 até 1946 as assembléias e reuniões da comunidade não puderam ser realizadas à pedido do Delegado de Polícia local, bem como a realização dos cultos em alemão, devido a 2ª Guerra Mundial.

Foi durante o período de atuação do Pastor Müller que foi construído o atual templo, mais precisamente entre os anos de 1947 e 1948, sendo inaugurado em 02 de maio de 1948.

Durante a década de 40 havia na comunidade o Côro de Trombones.

Em 04 de outubro de 1953 foi inaugurado o Pavilhão da Juventude Evangélica.

Há registros oficiais que já em 1953 a Juventude Evangélica se reunia na Comunidade, bem como a Escola Dominical.

A esta altura Limeira já não era pequena como na virada do século. Agora era cidade e município. Alguns membros nascidos no sítio, já há muito residiam na cidade. Como este número aumentou começaram a pensar na formação de uma Comunidade na cidade. Isto aconteceu no período compreendido entre 1955 e 1957. Tal intento acabou se concretizando em 1957 com a fundação da Comunidade de Limeira.

A Ordem Auxiliadora de Senhoras Evangélicas - OASE foi fundada em 03 de outubro de 1971, sob a coordenação da Sr.ª Gabriela Pulstchen da cidade de Santa Bárbara D’Oeste, contando com a participação de 34 senhoras.

Em 1º de outubro de 1972 foi aprovado o atual estatuto da Comunidade, que passou a denominar-se “Comunidade Evangélica de Confissão Luterana do Bairro dos Pires”.

Quando do Centenário da Comunidade do Bairro dos Pires em 1973, o P. Graetz ainda estava na ativa. Fazendo justiça aos antepassados, o culto de gratidão a Deus teve seu início junto à sepultura do P. Friedrich Müller. Depois todos seguiram para o templo, cuja ampliação foi inaugurada no dia 07 de outubro.

No dia 10 de julho de 1982 é fundada a Paróquia Evangélica de Confissão Luterana de Limeira. A Paróquia passa a ser atendida pelo P. Renato Gerber, a partir de outubro de 1982, abrangendo a Comunidade do Bairro dos Pires, a Comunidade de Limeira e a Comunidade de Cosmópolis (até 02/12/88, quando também se torna autônoma). Iniciou-se aqui uma nova era na longa história desta Comunidade. Por força administrativa Pires e Limeira se desligaram de Rio Claro. Fato amplamente lamentado. Dado os laços de amizade e fraternidade existentes.

No ano de 1981 foi concretado o piso do pavilhão, e durante este ano também tivemos em nosso meio o estagiário Lúcio Schwingel.

As Comunidades de Pires e Limeira alugaram uma casa na Rua General Osório, 315 no Bairro Boa Vista. Casa esta pertencente a um membro da Comunidade de Pires, a Sra. Clara Bürger Dübbern.

Quase um ano depois as duas Comunidades compraram uma casa pastoral. Isto veio em definitivo resolver o problema da moradia do pastor. No dia 20 de agosto de 1983 o P. Renato, sua esposa e o primogênito Luís Fernando, nascido em Limeira, se instalaram na nova casa, localizada à Rua Gustavo Teixeira, 241 no Bairro Boa Vista.

Durante o ano de 1983, com o apoio do Pastor Renato, foi formado o Grupo de Canto da Juventude Evangélica Luterana de Pires. Este grupo tem-se apresentado em diversas ocasiões, dentro e fora da Comunidade, mas principalmente nos Cultos.

No dia 04 de março de 1990 foram inauguradas as quatro salas de Escola Dominical.

Em 19 de dezembro de 1992 foi inaugurada a quadra de esportes.

Por ocasião dos 140 anos da imigração alemã ao Bairro dos Pires, foi realizado em nossa Comunidade em junho de 1992 um culto festivo com a participação da Comunidade da Igreja Evangélica Luterana no Brasil - IELB, fundada também no Bairro dos Pires já há algumas décadas, por irmãos que se desligaram da nossa Comunidade, por motivos de desentendimento.

No ano de 1999 foi demolido o pavilhão antigo, e através de muito empenho da Comunidade foi possível construir um novo pavilhão em estrutura metálica. Foi possível também fazer nova cobertura na cozinha e na parte dos fornos. (4)

 

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(1) Conforme GAZETA DE LIMEIRA, SUPLEMENTO HISTÓRICO, de 15/09/80.

(2) Conforme “Bairro dos Pires”, pág. 1, de Altino Stahlberg.

(3)Conforme Livro de Registros mais antigo, pág. 1.

(4)Conforme Boletim Informativo da UPLRC. Edição Comemorativa de Outubro de 1983, nos 110 anos da Comunidade
 


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