IECLB e Igreja Católica Apostólica Romana


- Brasil
ID: 2723

Seminário sobre "Tradição e Sucessão Apostólica"

Declaração do Seminário Bilateral Católico Romano - Evangélico Luterano

09/11/2004

Declaração do Seminário Bilateral Católico-Romano/ Evangélico-Luterano
Realizado nos dias 8 e 9 de novembro de 2004
Casa Matriz de Diaconisas, São Leopoldo.


Introdução

Reunidos em seminário sobre o tema Tradição e Sucessão Apostólica, como representantes das Igrejas Católico-Romana e Evangélico-Luterana, damos mais um passo nessa já duradoura caminhada de diálogo em busca do reconhecimento mútuo dos ministérios em nossas Igrejas.

O clima fraterno permitiu diálogo franco sobre as alegres descobertas de nossas convergências, mas também a respeito de nossas divergências e das questões que ainda necessitam de nossa reflexão e trabalho conjunto.

Convivemos na perspectiva de um cenário desenhado por muitas oportunidades marcantes de atuação ecumênica: Assembléia Nacional do CONIC, de 16 a 19 de novembro de 2004; Campanha da Fraternidade Ecumênica em 2005, sob o tema Solidariedade e Paz; IX Assembléia Geral do Conselho Mundial de Igrejas, em Porto Alegre, em fevereiro de 2006, sob o tema Deus, em tua graça transforma o mundo.


Pontos em comum

Desafiados pelos temas abordados por assessores das duas igrejas renovamos a clareza de que temos numerosos pontos em comum:

Ambas as Igrejas se consideram inseridas na corrente da Tradição, enquanto interpretação e transmissão contínua do conteúdo do Evangelho, lendo e interpretando a Escritura na Tradição e a Tradição à luz da Escritura. Nossa unidade é, portanto, anterior à nossa separação. Temos marcada em nós a cruz e ressurreição de Cristo. Nosso diálogo a respeito das nossas diferenças será tanto mais fraterno quanto mais nos deixarmos guiar por essa verdade.

Já alcançamos o consenso de que o ministério eclesiástico, respectivamente o ministério ordenado, é instituição divina, não criação da comunidade. No mesmo sentido, afirmamos que o magistério eclesiástico não está acima da palavra de Deus e, sim, a seu serviço.

Temos a compreensão comum de que a sucessão apostólica decorre da universalidade do Evangelho e se exprime na comunidade de fé, mantendo-se perseverante na doutrina dos apóstolos, na comunhão, no partir do pão e nas orações (Atos 2.42). 

É fundamental respeitar-se a autonomia das Igrejas em estruturar seus serviços e ministérios e viver sua fé e espiritualidade, sabendo que Cristo é sempre o mesmo.

Desafios e questões em aberto

Precisamos promover, em nível mundial, uma declaração conjunta a respeito dos ministérios. Cabe a nós assumirmos a responsabilidade de darmos o primeiro passo nessa direção.

Intensifiquemos em nossas comunidades de fé a busca por desafios concretos comuns, que podem e devem ser assumidos de forma conjunta, especialmente num contexto de crescente laicisação do Estado, em detrimento da presença pública da Igreja em questões sociais, políticas e religiosas.

É urgente que deixemos de viver em nossas Igrejas como se as outras não existissem. Que possamos nos ver não como concorrentes, mas como irmãos e irmãs de uma mesma família, aprendendo a conviver com as diferenças. Nesse sentido, que nos deixemos levar pelo desafio de dominicalmente orarmos uns pelos outros. 

É fundamental continuarmos perseguindo a postura de não supervalorizarmos as nossas diferenças, como se essa fosse a regra primeira de convivência.
As igrejas cristãs no mundo não estão crescendo na mesma proporção do crescimento populacional. Cabe-nos, pois, continuarmos buscando insistentemente a união no diálogo e na ação, não apenas na perspectiva ecumênica, mas também no campo do diálogo inter-religioso, para maior credibilidade de nosso testemunho.

Passos futuros

No âmbito de nossas diferenças, não nos cabe tentar reverter a roda da história, mas olhar para o futuro e vislumbrar as oportunidades que se nos oferecem.
Cabe buscar uma melhor compreensão da tradição comum das fontes e origens da Igreja de Cristo, com vistas ao exercício da missão conjunta. 

Reafirmamos que o ecumenismo não pretende nivelar ou apagar identidades, e sim possibilitar a comunhão do diferente em harmonia, complementação e serviço mútuo, nos horizontes da unidade na diversidade reconciliada, inclusive na forma do exercício do ministério.

O Seminário indica que a reflexão deve se aprofundar no sentido de tornar mais claro o ministério de Pedro. Assim como no Seminário Bilateral de dezembro de 2002, também neste apontamos para a necessidade de maior reflexão sobre o conceito do sacramento e sacramentalidade, sobre o caráter sacramental da Igreja e sobre o magistério eclesiástico.


Âmbito: IECLB / Organismo: Igreja Católica Apostólica Romana - ICAR
Natureza do Texto: Manifestação
Perfil do Texto: Ecumene
ID: 20713
Assim como o Senhor perdoou vocês, perdoem uns aos outros.
Colossenses 3.13
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