Relato de experiência de uma mãe

Caderno de Subsídios - Semana Nacional da Pessoa com Deficiência - 2009

01/08/2009

Relato de experiência de uma mãe

Quando abri meus olhos e vi aquele bebê lindo ao meu lado, pensei: é ou não é? Bem, de qualquer forma, segundo meus princípios cristãos, este bebê, uma menina, era um ser humano. Uma pessoa, ou seja, mais uma filha, pois eu já tinha um casal de filhos. Observei atenta ao exame do médico e ele falou: Olhem só, um bebê perfeito, como todo pai e toda mãe querem.

Pois é, minha filha nasceu com Sindrome de Down, para o pavor de muitos, mas não o meu. É claro, houve o choro, o luto, um dia de depressão, mas aí já era tarde. Eu já estava completamente apaixonada por ela. Por mais que eu quisesse ver algo de anormal nela, não conseguia. Ela fazia exatamente as mesmas coisas que os outros dois filhos haviam feito. Chorava, sorria, mamava, comia, brincava, caminhava, corria, dançava e até hoje, com 14 anos de idade, continua a fazer tudo isso e muito mais.

Tem total independência para tudo, está na 7ª série do ensino regular, sonha em ser secretária, lê, escreve, opina e acima de tudo: sabe o que ela quer. Sabe se posicionar e argumentar.

Na medida em que ia crescendo e se desenvolvendo eu me perguntava: “Deus, que em sua infinita bondade nunca desprezou qualquer ser humano, antes curou os cegos, pessoas com deficiência, acolheu os pobres, enfermos e enlutados; Como nós pobres pecadores nos damos o direito de julgar e condenar pessoas apenas porque têm uma deficiência? E quem não tem? Teríamos nós mais a ofertar do que nossos irmãos ou filhos com deficiência? Deus teria mais amor a nós do que a eles?”

Somos todos produtivos, cada um do seu jeito, basta que seja dada oportunidade. Pela realidade que vivemos hoje, as pessoas com deficiência têm-se superado cada dia mais. Temos no mercado de trabalho pessoas com todos os tipos de deficiências, produtivas e administrando seus ganhos como qualquer outra pessoa.

A pessoa com deficiência, quando não reconhecida por seu estigma de “deficiente”, mas sim por seu caráter e competência, oferece a Deus as mesmas alegrias e realizações que qualquer outra pessoa. Para eles tudo é vitória, tudo é realização plena e também percebem quando alguém os apóia, ama, valoriza, como qualquer outra pessoa. Devemos ver nas pessoas com deficiência não apenas a sua deficiência, mas as suas potencialidades e capacidades.

Deus ama quem oferta com alegria. Vendo minha filha na lida do dia a dia, percebo que tudo o que ela faz é feito com esmero, dedicação e é para alguém, e eu sei que este alguém é DEUS, pois quando ela vai dormir, agradece ao Papai do céu todas as alegrias daquele dia e pede pela saúde de todos.

Seria justo e ético pensar que alguém, por ter uma deficiência, não tivesse o que ofertar a Deus?

Gecy Maria Fritsch Klauck
Presidente e fundadora da Associação dos Familiares e Amigos do Down (AFAD-21)
Novo Hamburgo/RS

Índice do Caderno de Subsídios da Semana Nacional das Pessoas com Deficiência - 2009


Autor(a): Gecy Maria Fritsch Klauck
Âmbito: IECLB
Natureza do Texto: Artigo
ID: 23941
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